- crónica de A. P. C., da série «A receita do meu Natal: eu, o meu irmão e um peru recheado de memórias; [memórias da C. de C., e de J. V., de entre Abril de 78 e Dez de 80, tem-nas D., e muitas...]
letrasescalfadas
LITERÁRIOS SABORES E CHEIROS
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
«um peru...»
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
«frango à Cafreal» OU «a malícia do jindungo»
- [de manhã, no RT, atingida a p. 135, de 284]
RECORTE(s):
[OUTRO]
terça-feira, 25 de novembro de 2025
«Jantar de Gala» (de «O Barman do Ritz»)
- RECORTE(s):
[...] Do outro lado da Galeria das Maravilhas, estão todos reunidos no Salão Vendôme. onde o embaixador nazi em Paris, Otto Abetz, dá um jantar de gala em honra da nova amizade franco-alemã. [...] Vieiras salteadas com creme de açafrão como entrada, ovos de codorniz escalfados com caviar - Frank roubou dois na cozinha, deliciosos - , noisettes de borrego Eduardo VII, puré de alcachofra e nabos novos glaceados, acompanhados de Château Ausone de 1900. Para terminar, um crocante de calvados e o seu granizado de Fine de Champagne, com uma taça de Roederer Cristal.
Philippe Collin, O barman do Ritz, p. 55
domingo, 16 de novembro de 2025
Sábado +e dia de peixe («de «O ouro dos corcundas»)
- [lido pelas manhãs, nos Transp., está a levar tempo a terminar; alcançada a p. [de 279]
RECORTE(s):
Naquela noite, a taberna do Pasquino fervilhava de povo, em considerável algazarra e algaraviada, como se participassem num leilão de frangos e bácoros no adro da igreja, em dia de arraial festivo. Bebiam e comiam à tripa forra, petiscando iscas de bacalhau, ore
Paulo Moreiras, O ouro dos corcundas, p.
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
Caves («O Barman do Ritz»)
RECORTE(s):
[2 de fevereiro de 1944]
[...] Frank esperava sentir uma emoção ao reencontrar a sua cave, mas, ao acender a luz, é tomado por uma vertigem. Aquilo não é uma cave, é uma verdadeira caverna de Ali Babá. Devem estar aqui, pelo menos, cem mil garrafas! Tinha-se esquecido de tamanha abundância. Lembra-se agora de que foram precisas seis semanas para mudar tudo de sítio - Luciano havia sido requisitado para ajudar todas as manhãs, e agora Frank percebe porquê. Percebe, sobretudo, que, [....[ se os três alemães puserem as mãos naquele tesouro [...] a pilhagem será quase certa. Mas como escolher? Anda lá, Frank, deixa o instinto falar. Começa com um Krug 1911, uma colheita quase extinta, uma verdadeira peça de museu. Depois, dois meursaults. Guarda cuidadosamente as garrafas na mochila, embrulhando-as em papel kraft [...] Passa pelos vinhos de Bordéus e repara num haut-brion 1921, Acaba por pegar num pétrus 1909. Menos de dois minutos, ainda tem tempo de ir à Borgonha, onde apanha um romanéee-conti 1933. Estava prestes a subir quando ouve aquele sotaque gutural que se tornou tão familiar;
- E, cá em baixo, o que há?
Philippe Collin, O barman do Ritz, p. 233-234
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
«A última ceia», M. do R. Pedreira
- [foi há um ano...];
- um dos poemas dito e comentado em «O Amor é», de 26 de OUT, «As palavras de José Cardoso Pires e de Maria do Rosário Pedreira»
Trouxe as palavras e colocou-as sobre a mesa.
Pousou-as na mesa e começou a abri-las devagar,
tão devagar como passa o tempo quando o tempo
não passa. E depois distribuiu-as pelos outros,
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
American Beauty («O barman do Ritz»)
- [R. não era um Barman «típico»...; no ano - de out a out, 85 - 86 - em que «oficinou» no Bar do H. A. P., histórico, nos REST.es, ouviu vários clientes que tinham lido sobre o hotel, na II Guerra...; atingiu agora a p. 120 desta narrativa situada em «ambiente idêntico»]
RECORTE(s):
[...] Durante estas horas mortas, resta, felizmente, aperfeiçoar a aprendizagem de Luciano. Não se inventam novas receitas quando não há ânimo, mas podem rever-se os clássicos.
- Não. Concentra-te. Está a faltar alguma coisa. O segredo.
Philippe Collin, O barman do Ritz, p. 69
quarta-feira, 1 de outubro de 2025
«Estar a morrer de sede!» (M. E. C.)
[...]
sábado, 13 de setembro de 2025
«a taberna do Pasquino» (Paulo Moreiras)
- devolvido por Mon., que «desistiu», devido sobretudo aos «contextos» e ao vocabulário «arcaizante»...; de manhã, no RTA, atingida a p. 67 [de 279]
RECORTE(s):
Naquela noite, a taberna do Pasquino fervilhava de povo, em considerável algazarra e algaraviada, como se participassem num leilão de frangos e bácoros no adro da igreja, em dia de arraial festivo. Bebiam e comiam à tripa forra, petiscando iscas de bacalhau, orelheira com alho e cebola, morcela assada, azeitonas ou farrapos de presunto de porco-montês, o vinho escorria em cornucópia a saciar sequiosas gorgomileiras. Nas mesas jogava-se aos dados ou a jogos acascarrilhados de cartas, como o voltarete ou a arrenegada, com bastante agitação e tumulto, pelas sortes e azares que a fortuna ditava, pelos dinheiros que num ape mudavam de mãos.
Paulo Moreiras, O ouro dos corcundas, p. 63
quarta-feira, 29 de janeiro de 2025
SATÉLITE OU «aroma navegável do cimbalino»; (Inês Lourenço)
SATÉLITE
Os meus olhos acolhem um bando
de reflexos, invisíveis a horas
mais sombrias, na luz aberta
quinta-feira, 21 de novembro de 2024
«O mais velho cozinheiro...»
- Crónica de Luís Osório, no «Postal do Dia» - Adriano Jordão evoca o «peixe cozido que tanto trabalho deu num restaurante de luxo...»]; [AQUI, no YT, também]; + artigo na «Mensagem de Lisboa» (Maio)
quinta-feira, 24 de outubro de 2024
«arroz de amêndoas», H. A. Faciolince
- [alcançada a p. 86, de 359]
RECORTE(s)
[sublinhados acrescentados]
Héctor Abad Faciolince, Salvo o meu coração, tudo está bem, pp. 50-51
sexta-feira, 11 de outubro de 2024
«O mármore e o sangue», Palomar
- [outro(s) recorte(s) de uma das releituras do momento: Palomar, de I.Calvino]:
quarta-feira, 2 de outubro de 2024
«O museu dos queijos», Palomar, Calvino
- [outro(s) recorte(s) de uma das releituras do momento: Palomar, de I.Calvino]:
domingo, 15 de setembro de 2024
Libações (primeiras); Beauvoir
[alcançada a p. 321, na quinta, à tarde, na Luz]
RECORTE(s)
[sublinhados acrescentados]
Simone de Beauvoir (1908-1986), Memórias de uma menina bem-comportada (1958), 2023, pp. 312-313
quarta-feira, 21 de agosto de 2024
«Galões e Cafés» (J. M. F. Jorge)
GALÕES E CAFÉS
tão exaltante, como a daquele que
trabalhava no bar da aerogare do
Pico.
Manhã cedo dividia o azul cinzento
dos olhos pelos galões e cafés que
Corava quando alguém reparava nele
para além do mover das moedas,
dos galões e cafés, dos pãezinhos
com queijo ou fiambre e da muita
manteiga que sempre queriam.
Mordeu os lábios
porque o emigrante que trazia grande
quantidade de dinheiro amoedado lhe
deixou com desprezo protector os
tostões que não queria levar para
Ninguém reparou nele naquela manhã
do Pico, ali, na aerogare compartimentada
de vinhas e rasteiros pinheiros.
Às vezes
um sorriso maior prendia a habilidade
das suas mãos entre galões e cafés.
Ninguém repara nele. Eu mesmo o
café que me servira.
Troquei-o, tão facilmente, como o
mercador português que ia para Boston a
segunda-feira, 19 de agosto de 2024
«Jantar em Alcabideche» (J. M. F. Jorge)
JANTAR EM ALCABIDECHE
ou menos bêbados. As mãos brincavam com
as facas, apertavam os copos entre os
dedos, espremiam limão sobre os peixes
grelhados. Os gestos, a alegria
do encontro tornara-os tenros e desajeitados.
Mais do que dirigindo-nos a nós próprios,
fazíamo-lo para uma presença imaginária,
a secreta corrente que cada um unia; e,
mais secretamente ainda, dois e três escondia.
Depois, não há como o álcool,
o vinho branco escolhido – que não fôra
excelente – para fazer querer
ser o eu presente o verdadeiro eu;
e que, até então, sempre permanecera
escondido.
Os meus amigos falam, falam todos ao mesmo
tempo e não se entendem.
E quanto mais querem dizer mais abraços dão.
Riem e chegam mesmo a participar, felizes,
na união em cada um;
meio perdidos no seu sonho de representação
de si, não procuram mais do que provar, e
provar aos outros, uma única coisa: cada um
é o mais fiel naquele jantar,
Eu, quase sempre, permaneci alheio e
olhava-os, como vocês, leitores,
nos estão a olhar agora.
domingo, 11 de agosto de 2024
«Chocos com tinta»
RECORTE (s) do Caderno materno:
Eu estava bastante nervosa, para dizer a verdade, porque ainda não domino bem os costumes espanhóis [...]. Por exemplo: no nosso país, praticamente nunca se come peixe e os uruguaios detestam qualquer coisa que tenha espinhas. Aqui, ficam loucos com uma boa pescada. No Uruguai, o frango é um artigo de luxo e é muito distinto servi-lo num jantar e, aqui, é algo muito comum, quase banal [...]. Depois vem esse hábito espanhol de comer lentilhas, feijões ou grão-de-bico, mesmo nas melhores casas, algo que não ocorreria nem ao último trabalhador da exploração agrícola mais remota do Uruguai. Já para não falar de alguns pratos espanhóis que eu não me atreveria a experimentar nem que estivesse a morrer de fome no meio do deserto, como aqueles chocos com tinta que parecem mergulhados em lubrificante para automóveis, ou uns vermes que, segundo eles, são muito bons e se chamam meixões.
quinta-feira, 18 de julho de 2024
«património micológico», Rosa Oliveira
Teofrasto chamou-lhes plantas
imperfeitas quase ausentes
quarta-feira, 17 de julho de 2024
sexta-feira, 12 de julho de 2024
A última refeição (A ultima lua..., M. L. Sousa)
«Destapa as terrinas e as cuias, vê condimentado o thiof fresco que lhe mandaram do Senegal, seu pescado predilecto, aquele que entre os peixes mais tem sabor a rocha, costuma dizer, recheado de ervas e pimentas, olha guloso para o arroz amarelo nadando em óleo de palmito, para a tigela de molho avermelhado de malagueta, e sorri. De convido, descobre sob a toalha branca no meio da mesa uma gamela de mandioca, cenoura, batata-doce, inhame e repolho. Serve por ordem: arroz, verduras, peixe e molho. Come sozinho. Mastiga sofregamente, saboreia cada bocado até à raiz da saliva, toma uns goles do vinho ácido argelino, limpa os lábios com um paninho alvo, e compenetra-se como se esta fosse a sua última refeição. Arruma as espinhas num canto do prato, cobre a sobra com uma ponta da toalha, leva a loiça à cozinha, lava-a na bandeja de plástico dentro da pia, suspende o bule sobre o carvão, serve uma xícara de café como postre e bebe a olhar para a banheira velha de esmalte coberta de folhas podres no quintal. [...]»
Mário Lúcio Sousa, A última lua de homem grande, 2022, p. 107; [OUTRO]
domingo, 23 de junho de 2024
«as múltiplas formas de comer um figo», segundo D. H. Lawrence (N. Júdice)
OS FIGOS DE D. H. LAWRENCE
segunda-feira, 18 de março de 2024
Cafés (No tempo dos); Nuno Júdice
- poema - lista, de Autores...; sublinhados acrescentados
Entreabri a porta, sem saber o que iria encontrar. As mesas
sexta-feira, 15 de março de 2024
«a memória dos sabores» (Paulo Moreiras)
RECORTE(s):
Com o propósito de aferir a qualidade do seu palato, Domingos Rodrigues desenvolveu alguns exercícios para Saturnino. Não tardou a descobrir [...] que o filho evidenciava um apurado sentido do gosto, capaz de decifrar os nove sabores que os filósofos preconizavam existir: os três cálidos, os três frios e os três temperados. [...] Não havia prato, por mais complexo que se apresentasse, em que Saturnino não descortinasse todos os ingredientes e especiarias [...] Se fosse carneiro estufado, por exemplo, saboreava um pouco da carne e do caldo, [...] e logo enumerava o meio arrátel de toucinho, as duas cabeças de alho, o marmelo cortado em quartos, as duas maçãs, a canela, a pimenta, o gengibre, o cravo-da-índia, a noz-moscada, as duas folhas de louro e o sal necessário, sem esquecer de referir o pequeno golpe de vinho, de vinagre e de sumo de limão [...] tão fundamentais para enriquecer os sabores e mundificar os aromas. Até mesmo a partir de um simples pedaço de marmelada comum Saturnino conseguia decifrar se lhe haviam adicionado um tanto de âmbar ou de almíscar. Bastava-lhe provar as iguarias somente uma vez, que logo a memória do seu sabor ficava guardada como se fosse gravada em pedra. Um prodígio da sua faculdade de alma, virtuosa tesoureira do espírito.
sábado, 13 de janeiro de 2024
«A laranja de Nafarros», M. E. C.
- RECORTE(s) da crónica de hoje, de MEC, no «Público»:
segunda-feira, 11 de dezembro de 2023
Barman e Doutor
- a «prancha» de hoje, do «Bartoon», de Luís Afonso também poderá ser «reenviada» para aquele que trabalhou como Barman até 4 de DEZ. de 89; após isso, a LIC., em 9192, o MESTR., em 0205, que «furou» o CONG. no seu início (em 06), e a «morte na praia» do 8.º Degrau (lá para 2021...)...; claro que «metia menos a colher» do que este Boneco-Figurão...
quarta-feira, 1 de novembro de 2023
Babette (A festa de)
- neste caso, R. acha que gosta mais do filme do que do Conto [1958] - OU será que precisa de reler este último?; no Inventário «A volta ao Mundo em 100 Livros», de A. Lucas Coelho, o Episódio n.º 89, de 29-10;
quinta-feira, 21 de setembro de 2023
Mercearia e Tasca (Ernaux)
RECORTE(S):
segunda-feira, 3 de julho de 2023
«o cheiro avinagrado da massa das farinheiras» + «o gosto da nata», José Luís Peixoto
- iniciada hoje, na «Carreira do 30» (da PICH. a Picoas), esta bem estruturada Ficção, em curtos «capítulos», com a Voz Narradora, ora de 1.ª ora de 3.ª Pessoa Verbal, em diferentes Tempos, «fragmentariamente»; atingida, ao final da manhã, a p. 65
- «perspectiva» de narrador com 9 anos no excerto escolhido, logo de página inicial:
[...] Quando terminei a primeira ronda, estavam as mulheres no começo de encher as farinheiras. O cheiro avinagrado da massa das farinheiras impregnava a divisão.[...] Quando voltei da segunda ronda da distribuição, mãos agradecidas a receberem as encomendas, olhos regalados a apreciarem a carne, a textura da carne sobre a couve, a minha mãe esperava-me com a vasilha do leite, tinha essa intenção planeada desde sempre. Depois do morno do sebo e da palha, depois do olhar mal iluminado das vacas, [...] cheguei com o quarto de litro de leite, mais um ou dois dedos por paga de bom freguês. Foi ao entregar a vasilha que a minha mãe me prometeu a nata. Eu conhecia já o desenvolvimento desse gesto, não era a primeira vez. [...]
José Luís Peixoto, Almoço de domingo, p. 22
sexta-feira, 16 de junho de 2023
«Matança OU a Faca como Espada», «Signo Sinal»
- S. S. será devolvido à BiblioPenha até dia 29; de manhã, na ESP DEL + AGO, atingiu-se a p. 88
- [a Matanças, terá D. assistido a uma, no Vau (?) e a quantas no Monte da Marechal ?]
e nós disparámos a correr, voltámos logo depois. Silêncio de novo, só o grunhido do porco, o respirar forte dos homens. O matador erguia contra a luz a longa faca triangular, passava-lhe a mão no fio. Estava só, alheio a tudo. Vejo-lhe a figura alta, enorme. Só. Sacerdote antiquíssimo , sagrado de gravidade. Olhava-o com terror, eu, ele não via ninguém. [...] O sacerdote extático, subia-lhe a cabeça até à noite. Imóvel, nem olhava. Tinha um poder oculto e imenso, concentrava-se todo na sua grandeza. Meu pai andava á volta do porco, dava instruções. [...]
- É amarrarem-no à tábua
mas o matador, grave, disse que não. Era uma violência, havia a dignificação da vítima e de nós, amarrá-lo era impuro. Nas mãos firmes dos homens, pregado à tábua, esperneando frenético. [...] Transido, eu, os olhos dilatados de terror. Então o matador avançou. Ergueu ao alto a faca como uma espada, traçou na fronte, com ela erguida, o sinal da cruz. E dobrando-se para o animal, raspou-lhe ligeiro um sítio no pescoço. [...]
domingo, 11 de junho de 2023
«cozido de couve» (nesse dia só havia)
- outro (s) RECORTE(S) da leitura em curso:
Na casa da Isora a comida era uma mixórdia. Arroz amarelo com coxas de frango com molho com peixe salgado com batatas com ovos e batatas com cebolas, reutilizadas das batatas guisadas do dia anterior, com rancho com cozido de agrião com batata com carne, tudo junto. Na casa da Isora a comida era uma mixórdia, mas nesse dia não, nesse dia só havia cozido de couve. [...] O cozido de couve já estava na mesa a fumegar. Eu não gostava nada de cozido de couve e muito menos se tivesse gofio por cima. Mas a Isora adorava e se ela metia gofio por cima eu também. [...] A Chela punha sempre à Isora um prato mais pequeno do que o meu porque dizia que a isora comia pelos olhos e que era preciso controlá-la, pois caso contrário desordenava-se-lhe a fome. A Isora acabou o cozido rápido rápido, e depois começou a ver como é que eu comia o meu. [..]
[sublinhados acrescentados]
Andrea Abreu, Pança de burro, Bertrand, 2023, pp. 87-88
sexta-feira, 2 de junho de 2023
«Todo o bacalhau é espiritual» (M. E. C.)
sábado, 13 de maio de 2023
Confinado ( a cozinheira do), Carlo Levi
[Giulia] Acendia o fogo à maneira camponesa, com pouca lenha, e acendia os troncos só de um lado, juntando-os à medida que iam ardendo. Sobre esse fogo cozinhava, com os escassos recursos da terra, pratos saborosos. Preparava as cabeças das cabras a reganate, numa panela de barro, com as brasas por baixo e a tampa por cima, depois de ter embebido os miolos com ovo e ervas aromáticas. Das tripas fazia os gnemurielli, enrolando-os como novelos à volta de um pedaço de fígado ou de gordura e de uma folha de louro, e deixando-as a tostar sobre as chamas, enfiadas num espeto: o cheiro a carne queimada e o fumo cinzento espalhavam-se pela casa e pela rua, anunciando um delícia bárbara. [...]
Carlo Levi, Cristo parou em Eboli, Livros do Brasil; pp. 102-103
quarta-feira, 8 de março de 2023
Experiências culinárias (Franco-Chilenas)
[pelos finais do século XIX, princípios do XX ?]
Em dezembro, encomendavam-se especialidades francesas e a casa enchia-se de caixas de abóboras e de empadões de vitela, de gaiolas repletas de perdizes vivas e de faisões depenados, já pousados na sua travessa de prata, cujas carnes estavam tão endurecidas pela viagem que à chegada não se conseguiam cortar. As mulheres entregavam-se então a experiências culinárias inverosímeis que pareciam mais próximas da feitiçaria que da gastronomia. Misturavam às velhas tradições das mesas francesas a vegetação da Cordilheira, impregnando os corredores de odores misteriosos e de fumos amarelos. Serviam-se empanadas recheadas de morcela, coq-au-vin, pasteles de jaiba com queijo maroilles, e reblochons tão fedorentos que as criadas chilenas pensavam que provinham sem dúvida de vacas doentes. [...] [negrito acrescentado]
Miguel Bonnefoy, Uma herança, Asa, 2023, p. 14
sábado, 28 de janeiro de 2023
Pão OU «o vagar do Alentejo»
![]() |
| Maria José Mestre mostra-nos como fazer pão alentejano em forno de lenha JOSÉ FERNANDES |
-[o forno ainda não caiu, o Monte, claro, derrubado, há muito está; no Regresso, ah, no regresso...]
- imagem do «Fugas», de artigo sobre Beja («o Alentejo deixa-se descobrir com vagar»)
domingo, 22 de janeiro de 2023
Galileu em Veneza (jantar de)
RECORTE do excerto, em pré-publicação, no «Público» de Galileu em Pádua — Os dezoito Melhores Anos da Minha Vida, de Alessandro de Angelis, professor de Física em Pádua e Lisboa.
domingo, 15 de janeiro de 2023
«O Chef», Luís Afonso
terça-feira, 25 de outubro de 2022
Nobre, «reencontrado» por Castro Mendes
Tal como no poema, a mesa da estalagem onde nos encontrávamos tinha sobre as "toalhas brancas, honradas" uma boa oferta de doces e vinhos verdes. António Nobre, jovem caloiro de Coimbra, irritado e indisposto com as praxes, que já lhe tinham custado levar palmatoadas em público, e incomodado com o ar "bacharelático e funesto" que se respirava naquela Universidade, vinha ensimesmado e ausente, embora se sentisse aliviado com as férias familiares e manifestasse contentamento por reencontrar, ali nos Casais, a boa senhora Ana das Dores, que nos oferecia pão e doces e nos mostrava o magnífico fogão tradicional em que preparava todas aquelas vitualhas. [...]
terça-feira, 31 de maio de 2022
Literários hotéis
- São nove (nada mau...); artigo do »Público», que remete para a Univ . do Algarve, que também o disponibliza em «Pdf» [...]
domingo, 29 de maio de 2022
Mercearia B. + Bento dos Santos
- muitos anos passaram; D., num dos «próximos» dias, irá deambular por lá - quotidiano percurso entre Out-Nov de 81 e 31 de Julho de 83; antes que venha a esquecer-se de vez, regista-se o Nome do «Chef», minhoto, sócio do EXEC. A. O., Antunes - que chamava «doutor» a D. [...]
- servia-se «depois das horas» = ceias após espectáculos, por exemplo, ... [e D. via os cacilheiros - do Cais do Sodré, a 15 minutos a pé - que já não apanharia....]
![]() |
| Foto de Nuno Ferreira Santos («Fugas») |



