- [de manhã, no RT, atingida a p. 135, de 284]
RECORTE(s):
[OUTRO]
- [de manhã, no RT, atingida a p. 135, de 284]
RECORTE(s):
- [alcançada a p. 86, de 359]
RECORTE(s)
Héctor Abad Faciolince, Salvo o meu coração, tudo está bem, pp. 50-51
JANTAR EM ALCABIDECHE
RECORTE (s) do Caderno materno:
Eu estava bastante nervosa, para dizer a verdade, porque ainda não domino bem os costumes espanhóis [...]. Por exemplo: no nosso país, praticamente nunca se come peixe e os uruguaios detestam qualquer coisa que tenha espinhas. Aqui, ficam loucos com uma boa pescada. No Uruguai, o frango é um artigo de luxo e é muito distinto servi-lo num jantar e, aqui, é algo muito comum, quase banal [...]. Depois vem esse hábito espanhol de comer lentilhas, feijões ou grão-de-bico, mesmo nas melhores casas, algo que não ocorreria nem ao último trabalhador da exploração agrícola mais remota do Uruguai. Já para não falar de alguns pratos espanhóis que eu não me atreveria a experimentar nem que estivesse a morrer de fome no meio do deserto, como aqueles chocos com tinta que parecem mergulhados em lubrificante para automóveis, ou uns vermes que, segundo eles, são muito bons e se chamam meixões.
«Destapa as terrinas e as cuias, vê condimentado o thiof fresco que lhe mandaram do Senegal, seu pescado predilecto, aquele que entre os peixes mais tem sabor a rocha, costuma dizer, recheado de ervas e pimentas, olha guloso para o arroz amarelo nadando em óleo de palmito, para a tigela de molho avermelhado de malagueta, e sorri. De convido, descobre sob a toalha branca no meio da mesa uma gamela de mandioca, cenoura, batata-doce, inhame e repolho. Serve por ordem: arroz, verduras, peixe e molho. Come sozinho. Mastiga sofregamente, saboreia cada bocado até à raiz da saliva, toma uns goles do vinho ácido argelino, limpa os lábios com um paninho alvo, e compenetra-se como se esta fosse a sua última refeição. Arruma as espinhas num canto do prato, cobre a sobra com uma ponta da toalha, leva a loiça à cozinha, lava-a na bandeja de plástico dentro da pia, suspende o bule sobre o carvão, serve uma xícara de café como postre e bebe a olhar para a banheira velha de esmalte coberta de folhas podres no quintal. [...]»
Mário Lúcio Sousa, A última lua de homem grande, 2022, p. 107; [OUTRO]
- Arroz de Enguia... que era de Coelho...
- REcorte da ENTREV.a de hoje, pelos 90 anos...
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| Foto de família em 1941: António Galopim de Carvalho é o primeiro à esquerda |
Conte-nos lá a história do arroz de enguia que partilhou no Facebook.
[....] A minha avó Mariana era viúva e vivia com dificuldades. Tinha três filhos. Tinha um quintal e ao lado da casa dela vivia uma família com dinheiro. Um coelho fugiu da casa dos ricos para o quintal da minha avó, escondeu-se num canto. Ela fez umas conjecturas em termos da moral, das igualdades e desigualdades sociais. Pegou no coelho e esticou-o, esfolou-o, esquartejou-o e fez um arroz. Quando os rapazes vieram para jantar: “Ó mãe, o que é o jantar?” E ela disse “arroz de enguia”, para os rapazes não dizerem que comeram arroz de coelho. Nós, cá em casa, quando fazemos arroz de coelho, mesmo já os meus netos, dizemos “arroz de enguia”. [...] - em Video, pelo minuto 3, 20
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Pains et Compotier aux Fruits sur une Table (1908-09), de Picasso
CORTESIA: KUNSTMUSEUM E MUSEU NACIONAL DO PRADO
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| Cartaz mostra Gastón Acurio (de costas) a comandar a orquestra de produtores e cozinheiros que se juntam no festival Mistura
Alexandra Prado Coelho, «Há uma revolução no Peru e começou pela comida», Público, P2, 07-10-2012, pp. 12-19
TEXTO (e iimagem): AQUI
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