Mostrar mensagens com a etiqueta Espelhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Espelhos. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 3 de maio de 2017
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Pão Nupcial e Espelho
[para Mestre M. M., de T. do D. - mentora desta Cave - , que obteve mais um ano de Pena - «não suspensa» - no Palácio 1213]
[ Acabadora foi lido em 2, 3 dias, na fase final da Pausa e ganhou a Estante, para onde irá a seguir]
[ Acabadora foi lido em 2, 3 dias, na fase final da Pausa e ganhou a Estante, para onde irá a seguir]
[...] No dia do casamento de Bonacatta, sucederam duas coisas terríveis, além das bodas. A primeira foi que Maria fez aquilo que prometera não fazer. Enquanto estavam todos distraídos a vestir e a pentear a noiva, ela entrou no quarto da mãe [...] mesmo na penumbra, os panos brancos dispostos na cama revelavam a forma dos cestos onde o pão, desenformado naquela manhã, tinha sido posto a repousar. [...] Maria sabia que não tinha muito tempo. Levantou com cuidado, um a um, os panos brancos, examinando o conteúdo dos cestos até encontrar o pão certo, [...]
De um redondo perfeito, ornado com pombas e flores, o pão nupcial da sua irmã parecia ainda mais belo e delicado do que quando o tinha visto na pá do forno: uma filigrana de farinha e água, filha de uma arte ao alcance de poucos.
Enquanto a sua mãe e Bonacatta o preparavam, tinham-na impedido de assistir. e até o simples ato de o ver em segredo era uma violação cujas consequências lhe aqueciam o sangue como uma labareda, estimulada pelo cheiro forte e bom que enchia como um ventre o quarto. [...]
Enquanto estava dobrada a observar o pão, aconteceu, porém, que os olhos se desviassem para o espelho, onde, além do pão, se viu também a si mesma. [...] Cometendo o pecado de imaginar-se através dos olhos do homem da outra, pôs-se de pé e observou-se sem nada compreender. No espelho era ela quem se casava naquele dia, e não Bonacatta, porque, naquele mundo feito de reflexos, o olhar do esposo pousara-se no seu rosto como uma mão num bolinho de amêndoa perfumado. Mas a rapariga do espelho ainda não era uma esposa: o seio jovem premia a camisa de flores desbotadas com uma graça ténue que nem mesmo o tecido ligeiro conseguia valorizar. [...]
Michela Murgia, Acabadora, Lisboa, Bertrand, 2012, 57 - 58
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Isabelle Faria
[G. não conhece a A. referida;
foi a ARQ. A. A. que lhe disse, hoje, que foi P. no Velho Paraíso, «há uns quantos anos», e lhe passou o convite da A.;
fica a imagem do mesmo, que, naturalmente, G. não se atreve a comentar]
![]() |
ISABELLE
FARIA › Seven Years|Seven Sins
- na Casa da Cerca –
Centro de Arte Contemporânea,
- no sábado, 19 de maio de 2012, pelas
17h30.
Exposição patente até 2 de setembro
de 2012.
|
Subscrever:
Mensagens (Atom)

