CALDO-VERDE
Minha pecadora alma se perde,
a começar, sensual e gulosa,
nesse aroma sem par do caldo-verde
nesse aroma sem par do caldo-verde
fumegante, em ascensão gloriosa
da velha malga para a sensitiva
pituitária. Tenras couves-galegas,
muito finas, sem talos, na água viva
do caldo, pouca batata, apenas
temperada com azeite de boa
qualidade, um fio e mais um fio
que logo se espraiam. Juntar chouriço,
uma só rodela, comer com broa.
Aspiro fundo. provo, sorvo, rio,
canto. Enquanto subo: ao céu, é isso.
José Carlos de Vasconcelos. Os sete sentidos e outros lugares, 2026 (Fevereiro), p. 35
[a partir de 03;20, «Ensaio», RTP 3, de 26 de FEV]
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